A associação entre hipnoterapia e regressão é muito comum, e isso se deve a Sigmund Freud, o pai da Psicanálise. No final do século XIX e início do século XX, ele utilizava a hipnose para a liberação de conteúdos traumáticos, que estavam reprimidos.
As regressões se baseiam na teoria freudiana chamada “Teoria da Repressão da Memória”. O que diz essa teoria? Diz que o ser humano guarda na memória não apenas as representações dos acontecimentos, mas efetivamente as emoções que foram sentidas naqueles momentos.
Esses conteúdos
ficam armazenados, extremamente bem codificados. Não ficam ao fácil
acesso da memória. Eles ficam reprimidos, como se houvesse uma
parede que não permite ao consciente ter acesso a esse material.
REPRESSÃO – A
repressão de memórias traumáticas dão origem ao que Freud chamava
de “sintoma”. São eles os originadores de doenças
psicossomáticas, como as fibromialgias, que muitas vezes não
apresentam explicações biológicas para tais dores.
O mesmo se dá com
fobias, depressão etc. Ao serem reprimidas na memória, as
representações dos eventos traumáticos, carregadas de emoções,
geram os sintomas.
MEMÓRIA – Quando
algo ocorre conosco, nós guardamos isso na memória. Contudo, ao
longo do tempo, todos os elementos guardados na memória são
REINTERPRETADOS.
Essa palavra é
muito importante, porque denota que as memórias não são exatamente
absolutamente fidedignas, ou seja, nós não lembramos das coisas
exatamente como ocorreram, porque nosso cérebro, a cada vez que
evoca tais memórias, as reinterpreta, podendo colocar na cena
lembrada algo que originalmente não estava lá.
Isso equivale a
dizer que nem todas as nossas memórias são reais. Elas podem ser
totalmente criadas pela nossa imaginação.
É com a forma como
as coisas estão na memória que trabalhamos em regressão, e não
necessariamente como elas ocorreram ao paciente.
HIPNOTERAPIA – A
hipnoterapia com uso de regressão é feita com três passos:
1 – Pre-talk
(explicamos o que é a hipnose e seus elementos integrantes);
2 – Indução
(processo de levar o cliente a um estado de consciência alterado,
mais propício para ser trabalhado, no qual a pessoa consegue
instalar novos pensamentos e realidades);
3 – Sugestão (aqui
entra a regressão: induzir a pessoa a ir para o passado por meio de
uma metáfora. O que importa efetivamente é o sentimento, a sensação
com a qual o cliente vai trabalhar).
Durante o transe,
provocamos uma ab-reação (conceito criado por Freud e Breuer), ou
seja, levamos o cliente a liberar a emoção presente na memória
traumática, elevando-o até que ocorra uma catarse.
É nesse momento em
que levamos o cliente a ingressar em um túnel do tempo. Eu digo:
“Você verá um túnel do tempo, e no final desse túnel, há
uma memória muito, muito antiga”. Então, eu começo a contar
de 10 até 1. E quando chegar ao “1”, o cliente se verá
dentro da cena.
É nesse momento que
eu começo a fazer perguntas abertas, ou seja: “é dia ou é
noite”, “está sozinho ou com alguém”, “é
dentro ou fora”, “o que está acontecendo?”. É
importante fazer perguntas abertas, para evitar a indução de
memórias falsas no cliente.
E então, eu faço a
pergunta: “esse sentimento que você está tendo, é novo ou é
antigo?”.
HIPNOANÁLISE – O
que estamos fazendo até aqui é a chamada “hipnoanálise”,
que é o uso da hipnose com a psicanálise.
Nesse tipo de
tratamento, teremos acesso a basicamente dois tipos de eventos
traumáticos, geradores de memórias reprimidas:
1) Evento
sensibilizador, que é muito antigo;
2) Evento ativador,
que é posterior ao primeiro.
Vamos para o
seguinte exemplo, para efeitos mais didáticos:
Imagine que seu pai
estava dirigindo um carro com você dentro. Você tinha 4 anos. Seu
pai bateu o carro, e você foi lançado para a frente, colidindo com
o para-brisas. Mas nada efetivamente aconteceu com você.
APARENTEMENTE.
Esse ocorrido pode
ter deixado você com uma memória traumática reprimida, que pode
ser liberada aos 17 anos de idade, quando, por exemplo, você passa a
ter um nervosismo muito grande ao pensar em tirar sua Carteira
Nacional de Habilitação.
Veja: o primeiro
evento, o acidente, é chamado de evento sensibilizador. Já o
nervosismo exacerbado e sem motivo aparente, é chamado de evento
ativador. Dos 4 aos 17 anos você não manifestou nenhum sintoma que
indicasse fobia de dirigir. Mas aos 17 anos isso se manifestou.
Com a regressão de
memória, nós podemos acessar o evento sensibilizador, e
ressignificá-lo.
Vamos imaginar que
no percurso da hipnoanálise, o primeiro evento com o que temos
contato é um evento ativador. Então, fazemos a pessoa voltar ao
túnel do tempo, para buscar um evento mais antigo. Vamos voltando
até encontrar o evento sensibilizador, como nos ensina Erica Fromm,
a mãe da hipnoanálise.
E por que isso?
Porque queremos encontrar o evento sensibilizador, e ressignificá-lo.
RESSIGNIFICAÇÃO –
A ressignificação de um evento traumático, em geral, é sempre a
mesma, isso porque, em geral, o cliente volta até a idade da
infância (ou para vidas passadas, mas falaremos disso adiante).
Como chegamos em um
momento em que o cliente é uma criança (em sua memória), levamos o
cliente adulto (o que está em nosso divã) para encontrar com seu
“eu criança”, e dialogar com ele.
E isso funciona
porque, em geral, o problema que afetou a criança pequena não
representa nenhuma ameaça para o adulto. Quando fazemos o diálogo
do “Adulto” com a “Criança”, é um diálogo da
mente consciente com a mente inconsciente que estamos propiciando.
É uma forma de
fazer o “eu adulto” encontrar-se com o “eu criança”
e “salvá-lo” da situação que aflige a criança naquele
momento. E isso usando as melhores palavras possíveis: as palavras
do “eu adulto”, ditadas diretamente pela mente consciente
ao inconsciente”.
Esse processo era
chamado por Dave Elman, pai da hipnose moderna, como “Ressignificação
da ciança esclarecida”.
Depois de
ressignificar o evento sensibilizador, nós levamos o cliente para os
demais eventos ativadores, ressignificando da mesma forma. Ao final
das ressignificações, eu faço uma “Ponte Para o Futuro”,
levando o cliente a um futuro imaginário (mas já existente em sua
mente inconsciente), para ele vislumbrar como está sem o problema
que o afligia.
VIDAS PASSADAS – Às
vezes, ao colocar o cliente no túnel do tempo, ele volta a um ponto
muito, muito antigo, que ele considera como uma “outra vida”.
E é uma outra vida
mesmo? Isso na verdade não importa. O que importa é que está na
mente do cliente e é importante para o processo de tratamento.
Mesmo em vidas
passadas, podemos encontrar eventos sensibilizadores e eventos
ativadores.
Em vidas passadas,
em geral, temos acesso a dois tipos de eventos sensibilizadores:
1) os que envolvem
outras pessoas (perdão, raiva etc);
2) os que envolvem a
morte do cliente nessa outra vida.
É muito comum que
pessoas que possuam um problema cardíaco nessa vida, por exemplo, no
momento da investigação do evento sensibilizador, descubram que o
ocasionador do problema da vida atual foi um tiro no coração na
outra vida, com o qual ele morreu.
Durante o processo de investigação da vida passada, caso existam mais pessoas no recinto com o cliente (na mente dele, não no consultório), é essencial investigarmos se ele conhece tais pessoas, pedindo que ele as olhe nos olhos. Caso ele relacione alguém (é comum que isso ocorra com uma ou mais pessoas) com uma pessoa nessa vida, pode ser um processo de perdão que deve ser colocado em curso (ou seja, a pessoa dessa vida, por alguma razão, aparece na outra, e pode haver uma ligação emocional entre uma vida e outra, que precisa ser trabalhado).
Depois de
identificadas as pessoas, levamos o cliente para a hora da morte na
outra vida. Para que não haja um processo de reviver a morte em si,
fazemos um processo de distanciamento: pedimos que ele saia do corpo
e assista a morte de fora. Pedimos para esperar até que haja o
desencarne. Quando ele ocorre, perguntamos: “qual lição foi
aprendida nessa vida, o que você aprendeu?”
É nesse momento que
ocorre o processo de ressignificação: ao entender o processo do
desencarne, ou das relações com outras pessoas em outras vidas.
Ao voltar para a vida atual, o cliente pode dizer, por exemplo: “Nossa, agora entendo o motivo de meu pai ser tão severo”. E por entender esse processo, ele o ressignifica.
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André Rezende
Terapeuta certificado pelo Dave Elman Hypnosis Institute (USA)
caminhando.terapias@gmail.com
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